Há uma bolha no mercado acionário dos EUA? Para Patrick Farmer, sócio da Arbor Capital, a resposta é não

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O debate sobre se há ou não uma bolha no mercado acionário dos Estados Unidos aumentou neste primeiro trimestre de 2021.

De um lado, nomes de peso como Ray Dalio, fundador da gestora Bridgewater Associates, com US$ 150 bilhões em ativos sob gestão, alertaram para um risco de dimensões proporcionais aos vistos nas crises de 1929 e da internet em 2000. Por outro, o Bank of America foi na contramão, afirmando que não enxerga uma bolha neste momento, mas sim um reflexo de estímulos massivos do governo americano e de uma confiança do mercado por uma retomada econômica dos Estados Unidos.

Patrick Farmer, sócio e cofundador da Arbor Capital, asset especializada em ações globais com R$ 410 milhões sob gestão, também não olha com preocupação para o mercado acionário americano como um todo neste momento. Para ele, o que existe são nomes específicos que estão esticados demais. Já outras empresas como Facebook, negociando a 22x lucro e com crescimento de 25% ao ano, estão em patamares justificáveis.

“Eu não consigo imaginar um mundo daqui a 5 anos onde Facebook seja negociado a 10x lucro”, afirma Farmer, em entrevista ao B.Side Insights, acrescentando que o cenário global caminha para ser cada vez mais digital do que é hoje.

O cofundador da Arbor ainda lembrou de uma frase hiperbólica para brincar sobre o fato de ser remunerado para gerar retorno para seus cotistas independentemente do cenário. “O papel do gestor de investimentos é ganhar o máximo de dinheiro possível até o mundo acabar.”

De clube a fundo de investimento

Assim como outros fundos de ações, a Arbor Capital teve um passado como clube de investimento antes de iniciar uma trajetória profissional.

Fundada em 2014 por Leonardo Otero, João Valladares e Patrick Farmer, a casa tornou-se oficialmente uma gestora em março de 2015, ainda manejando capital próprio, de familiares e de amigos.

Diante dos bons resultados em anos consecutivos, a Arbor entendeu que era hora de captar dinheiro no mercado em 2020.

A asset conta apenas com um único produto: o fundo de ações Arbor Global, disponível na plataforma do BTG Pactual, com hedge cambial. Em breve, a casa também disponibilizará uma versão em dólar com a mesma estratégia.

Desde o início como fundo de investimento até dezembro de 2020, a gestora entregou um retorno de 323,3% ante 74,3% do índice MSCI World, 129,3% do Ibovespa e de 60,4% do CDI. Nos dois primeiros meses de 2021, a asset já acumula uma valorização de 18,87%.

Value investing de Buffett

A Arbor Capital começou sua trajetória olhando para empresas globais, dado que achava que muitas pessoas já acompanhavam as empresas brasileiras. O principal foco da asset é relacionado aos temas de tecnologia, e-commerce e fintech. 

“Felizmente vivemos em um mundo mais globalizado no qual o nivelamento de informação é bem maior. Gostamos de olhar para tendências seculares”, conta Farmer. Ele ainda diz que não vê um cenário em que o e-commerce daqui a sete anos será menor do que é hoje. Partindo desse pressuposto, o desafio é entender como se posicionar no segmento, olhar quais geografias são mais interessantes e onde isso vai se traduzir em mais retorno para os cotistas.

A estratégia clássica de value investing da asset é inspirada no megainvestidor Warren Buffett, inclusive com membros participando assiduamente dos encontros anuais da Berkshire Hathaway que acontecem em Omaha, cidade de Nebraska (EUA). A exceção foi no ano passado por conta da pandemia de covid-19.

Ao estudar um universo de 150 empresas, o time de investimento formado por oito pessoas seleciona 20 a 25 ações para compor o portfólio, sendo que nenhuma delas pode ultrapassar 15% do total alocado.

“Procuramos ativos que a gente entende que terão uma multiplicação de capital razoável em um horizonte de 5 a 7 anos de investimento”, explica o sócio Patrick Farmer. 

Ele dá como exemplo o sucesso do investimento na Sea Limited, empresa de Singapura que atua com games, e-commerce e pagamentos, que gerou uma valorização de 26 vezes desde 2018.

A volatilidade de um papel não é levada em consideração na hora de uma alocação, acreditando que a diluição de risco vem da diversificação do portfólio. Mudança de tese é a única razão para desinvestimento em uma companhia. 

Um dos equívocos do passado foi o excesso de concentração do portfólio e erros de omissão em ações que apesar de entendermos o enorme potencial do potencial disruptivo deixamos de investir por temer o valuation da epoca, diz Farmer.

Hoje, um dos objetivos do fundo é estar 100% investido.

Principais apostas da carteira

Entre as maiores posições do fundo estão três companhias: a fintech de pagamentos Square Capital, a empresa de apostas esportivas TheScore e o e-commerce chinês JD.com.

Além de nomes menos conhecidos do público brasileiro, a casa também tem na carteira posições mais tradicionais como Google, Amazon e Facebook, que estão no portfólio desde que o clube de investimento virou fundo em 2015. O que muda, segundo Farmer, é o tamanho de cada uma delas ao longo do tempo.

O cofundador ainda explica que as posições em empresas mais alternativas começam menores e vão aumentando de acordo com metas pré-estabelecidas pela gestora.

Há, inclusive, duas empresas que atuam no mercado brasileiro: Mercado Livre e Magazine Luiza. A Arbor afirma que não tem nenhuma restrição geográfica desde que a companhia faça sentido para se investir.

Atualmente, a carteira está dividida em 45% nos Estados Unidos, 30% na Ásia, 15% na Europa e em posições menores na América Latina e no Sudeste Asiático.

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