B.Side – Carta de Maio ao Investidor

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Leia alguns trechos da carta abaixo:

Cenário Internacional

No mercado internacional, o principal risco tem aos poucos deixando de ser o COVID-19, com a maior oferta das vacinas e redução no número de novos casos e mortes, e se tornado a tendência da inflação nos EUA. O indicador deve indicar, nas próximas semanas, a velocidade de retirada dos estímulos monetários nos EUA, impactando a curva de juros americana, consequentemente afetando as curvas de juros globais, as quais impactam os diversos mercados (juros, ações, commodities e moedas).

Portanto, o grande debate, tem sido com relação ao início do tapering – estimativa do início da redução de compra dos títulos americanos pelo Fed – à princípio projetado para quando o índice de desemprego retornasse ao nível pré-crise, porém, cada vez mais sujeito a um início antecipado, caso a inflação continue apresentando números muito acima da meta, forçando o Banco Central Americano a reduzir os estímulos.

No início de maio, foi divulgada a inflação de abril em 0,9% (vs. 0,3% esperado), com a ata do Fed deixando implícito que o início deste movimento ocorreria já no 2º semestre deste ano. Ao redor do mundo, a pressão inflacionária continua elevando os preços de commodities agrícolas e bens industriais, principalmente devido ao descasamento da oferta e demanda e recuperação mais robusta da economia. Diante de tamanha incerteza, a maioria dos gestores multimercado tem operado com nível de risco (Var) bem abaixo da média histórica (salvo exceções), de forma prudente.

No mês de maio, a atividade global teve resultados bem positivos, principalmente com a Europa recuperando o gap com os EUA devido à forte aceleração na vacinação, a qual permitiu uma abertura mais rápida da economia. Nos países emergentes, também houve resultados positivos com a redução do impacto da 2ª onda do COVID-19.

Cenário Doméstico

Ao longo do mês de maio, tivemos grande mudança positiva no cenário local, principalmente pela maior organização legislativa e por menos ruídos no Planalto. Diferente do que era esperado, tem tramitado bem a MP da Eletrobras, a Reforma Administrativa (ainda que diluída e aplicável apenas para novos funcionários públicos) e a Reforma Tributária (ainda que fatiada), as quais vêm mantendo o clima positivo e impulsionando as altas do Ibovespa.

Além disso, o mercado foi surpreendido com um PIB do 1T20 de 1,2% a.a. (vs. 0,5% esperado) mesmo com a piora dos números da pandemia em fevereiro e março e vacinação aquém do possível, causando uma revisão do PIB esperado para 2021 de 3,96% para 4,36% (Relatório Focus), com alguns players já estimando crescimento de 5,7% a.a. Entretanto, grande parte deste crescimento veio da agropecuária (+5,7% a.a.), com uma parcela menor de serviços (+0,4%) e da indústria (0,7%), mostrando concentração setorial principalmente devido à cenários externos ligados a commodities e câmbio e menor consumo das famílias.

Somado a isso, espera-se que o alto crescimento na margem ao longo do restante de 2021 será mais difícil, devido à impossibilidade de novos estímulos fiscais significativos, ao alto nível de desemprego, a uma eventual pausa no boom de commodities e ao fato da recuperação ligada à retomada da mobilidade já ter se concretizado quase que totalmente.

Também houve uma melhora nas perspectivas fiscais no curto prazo, principalmente com relação à Dívida Bruta/PIB, com expectativa de encerrar 2021 perto de 84% (vs. 95% esperado anteriormente). No entanto, grande parte dessa mudança se deve ao câmbio mais depreciado, escalada dos preços das commodities e inflação mais alta. Desse modo, o mercado ainda permanece cauteloso com a situação fiscal de médio prazo, devido à facilidade com que os aumento de gastos têm sido aprovados e à dificuldade de adotar medidas para fortalecimento do arcabouço fiscal.

O mercado também se encontra em um período de transição com o principal risco deixando de ser o COVID-19, com o início da redução dos casos e aumento da disponibilidade das vacinas, e se tornando a inflação, que continua em processo de deterioração gradual. Hoje, de acordo com o Focus, o mercado estima uma inflação de 5,44% para 2021 e 3,70% para 2022, com algumas casas já prevendo IPCA de até 6% e 4,2%, respectivamente, com BTG Pactual projetando 5,7% para 2021 e 4,0% para 2022.

Como contribuição ao cenário altista da inflação, além do câmbio mais depreciado, preço elevado das commodities, recuperação mais rápida da economia global e descasamento temporário da oferta e demanda dos manufaturados, temos a questão da crise hídrica. Recentemente a Aneel acionou a bandeira vermelha 2 para o mês de junho, que deve continuar até o início da temporada de chuvas na região da bacia do rio Paraná no final de novembro.

Além do impacto inflacionário, a crise hídrica tem começado a “levantar a lebre” em alguns players do mercado com relação ao risco de apagão, que traria graves impactos à recuperação econômica do país. Por enquanto, o risco ainda é baixo e difícil de quantificar, com a matriz energética brasileira dependendo 63% da energia hidráulica (vs. 90% em 2002).

Como consequência, vários gestores atualizaram para cima suas projeções para Selic, acreditando que o Banco Central não consiga interromper o ciclo de alta das taxas antes de atingir o patamar de juros neutro (6,50% a.a.), com alguns players já projetando Selic a 7,5% em mar/2022.

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