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Cenário Internacional

No mercado internacional, o destaque do mês foi o aumento do número de casos de coronavírus da variante Delta, conforme alertamos em nossa última carta, que causou um sell-off generalizado no mercado com a busca de investidores por ativos mais seguros. Além disso, dados de inflação americana – PCE (Personal Consumption Expenditures Index) – e do crescimento do PIB dos EUA no 2º trimestre abaixo do esperado auxiliaram a tendência de queda das US Treasuries. Consequentemente, tanto as bolsas no mundo (incluindo Ibovespa), quanto o próprio hedge contra a inflação de grande maioria dos fundos multimercados – as Treasuries – acabaram apresentando performance negativa no mês.

O lado positivo é que não há qualquer indício de que essa nova variante seja mais contagiosa ou letal que as variantes anteriores – inclusive, as vacinas têm se mostrado eficazes mantendo a taxa de mortalidade e o número de internações baixos. Ainda assim, a nova variante tem se mostrado dominante e não permite o mercado descartar a dúvida na recuperação global, devendo manter a
volatilidade das bolsas globais alta nos próximos meses.

Com relação ao tapering, nada mudou e as incertezas continuam altas. O mercado segue bem dividido entre aqueles que acreditam que a inflação é passageira e portanto, o Fed seguirá com seu plano inicial de redução dos estímulos, e aqueles que acreditam que o núcleo da inflação deve continuar pressionando nos próximos meses, forçando o Fed a reduzir os estímulos antes do esperado.

Também, vale mencionar o maior nível de intervencionismo estatal chinês na economia local (principalmente no setor de tecnologia e educação), além de rumores de que os EUA possam restringir
os investimentos na China e em Hong Kong causou a desvalorização das ações de empresas chinesas, impactando negativamente os fundos com exposição ao país e contaminando, de certa forma, as ações dos demais países emergentes frente às empresas de países desenvolvidos.

Cenário Doméstico

No mercado interno, permanecem as incertezas com relação ao texto da reforma tributária, que tem apresentado mudanças quase que diariamente e pode ser votada já na primeira semana de agosto. Apesar da chance de tributação dos fundos de investimento imobiliário ser praticamente zero (o que permitiu a recuperação do preço da maioria dos FIIs), o risco da tributação dos dividendos segue alto e, se concretizado, pode ocasionar uma retirada ainda maior de capital estrangeiro do país, pressionando negativamente a bolsa e o Real.

Além disso, adicionando volatilidade no curto prazo temos os ruídos políticos, ocasionando um aumento do risco fiscal. A principal ameaça atual é a reformulação do Bolsa Família com parcelas entre 270 e 300 reais com objetivo de aumentar a base eleitoral do governo. A visão do mercado é que este programa coloca em xeque o rigor fiscal, iniciando uma onda de medidas populistas antecipando o ano eleitoral e complicando a manutenção das despesas dentro do teto de gastos e a discussão do orçamento de 2022, tema para o próximo mês.

O risco de desancoragem das expectativas da inflação também continua crescendo, principalmente devido aos aumentos dos preços de serviços e alto custo da eletricidade (vale lembrar que o Banco Central analisa o núcleo da inflação na formulação de políticas monetárias – que exclui os choques de preços de alimentos e combustíveis). Assim, muitos players do mercado acreditam que o Banco Central não possui alternativa se não acelerar o aumento das taxas de juros para evitar que a inflação muito acima da média contamine a previsão de 2022 (já em 3,80% vs. meta de 3,50%). Assim, há chances relevantes do aumento de 100 bps na próxima reunião do Copom, elevando a Taxa Selic para 5,25%.

A estiagem e nível muito baixo dos reservatórios, além de causar a manutenção da bandeira vermelha 2 da Aneel (impactando fortemente a inflação), têm começado a alertar os investidores quanto ao risco de racionamento de energia. De acordo com o BTG Pactual, iniciaremos 2022 com os reservatórios em níveis muito abaixo do que na crise hídrica de 2001 e o país dependerá totalmente das chuvas do próximo verão para geração de energia hidrelétrica em 2022. Além disso, há uma tendência de resfriamento das águas da costa brasileira, reduzindo precipitações. Na visão do banco, há uma probabilidade em torno de 20% do país enfrentar o problema sério de racionamento, caso a chuva do verão não seja suficiente, o que reduziria severamente as previsões de PIB para 2022 (atualmente em 2,5-3%).

Apesar disso tudo, a boa notícia é que os lucros das empresas da bolsa continuam crescendo, a média móvel semanal de mortes pela Covid-19 seguem caindo, muito devido à campanha de vacinação, que já alcançou mais de 46% da população, com 19% dela já totalmente vacinada. Acreditamos que a vacinação terá um impacto ainda maior no segundo semestre, proporcionando maior reabertura da economia. Desse modo, nossa expectativa para bolsa no curto prazo segue construtiva, porém cautelosa, tendo em vista os riscos descritos acima.

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