B.Side – Carta de Setembro ao Investidor

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Cenário Internacional

O mês de setembro foi marcado por 3 eventos relevantes com implicações para o mercado global: a acentuação da desaceleração econômica da China, as mudanças nas expectativas da política monetária americana e a crise energética global.

Na China, o mês foi dominado por preocupações sobre o ritmo de desaceleração do setor imobiliário e a respeito da saúde financeira das empresas do setor, em especial da Evergrande, deteriorando as perspectivas para o setor de construção civil, responsável por 40% do PIB do país. O governo buscou administrar o risco macroeconômico, melhorando as condições financeiras para os consumidores, garantindo que os projetos em andamento seriam entregues e auxiliando a empresa a vender seus ativos pagar o serviço da dívida. A sensação de uma crise iminente diminuiu, mas os riscos do setor continuam.

Surgiram também novas preocupações do lado da oferta por conta da crise energética, ocasionando uma alta significativa dos preços do carvão, do gás natural e petróleo nos últimos dias por conta do retorno da demanda de eletricidade a níveis pré-pandemia e de restrições na oferta, a qual foi causada por restrições provocadas pelo COVID, medidas regulatórias visando reduzir as emissões de carbono e aspectos climáticos adversos (menor volume de chuvas em   algumas regiões e inundações em minas de países produtores de carvão na Asia). Entre as regiões mais afetadas, estão: China, onde a escassez de energia já paralisou parte da produção; Europa, onde alguns países já consideram mais subsídios fiscais às famílias afetadas por conta do inverno; e Brasil, impactando fortemente a inflação.

Somada ao choque de energia, a persistência de gargalos na cadeia de suprimento e o aumento nos preços do frete (+670% no ano) também contribuíram para colocar em xeque a “transitoriedade” da inflação acima da meta, estimulando medidas mais hawkish dos bancos centrais.

Na Europa, os dados de atividade surpreenderam positivamente, com um crescimento forte no 3T21 estimulado tanto pelo setor de serviços quanto industrial, embora este esteja impactado negativamente pela escassez de materiais e equipamentos em alguns segmentos. O Banco Central Europeu (ECB), por sua vez, anunciou uma redução no ritmo de compra de ativos (tapering), devendo encerrar o programa de compras emergenciais em mar/22.

Nos EUA, o número de novos casos de Covid e hospitalizações começou a cair, sugerindo que o pior momento da onda atual motivada pela variante Delta já passou. Nos próximos meses, o gasto da poupança acumulada com os pacotes fiscais pós-pandemia e a retomada mais consistente do setor de serviços devem seguir impulsionando o consumo. Também, o encerramento dos programas de benefício de desemprego deve contribuir para a redução do desemprego no país. Isso, somado à inflação persistentemente acima da meta, estimulou uma alteração na comunicação do Fed, indicando uma redução mais rápida da compra de ativos do que o esperado: o banco central americano deve comunicar o tapering em novembro (provável início em dezembro) e o programa deve se encerrar completamente em meados de 2022. Além disso, outra surpresa foi que metade do Comitê já previa pelo menos um aumento de 25 p.p. na taxa de juros em 2022 e mais seis altas de 25 p.p. até o final de 2024, encerrando o ciclo com o Fed Fund Rate a 2,0% a.a. Consequentemente, o mercado reagiu e os juros subiram.

Outra pauta importante nos EUA foi o debate envolvendo o limite da dívida americana (debt ceiling), que acabou sendo resolvido com a extensão do teto de gastos, como era esperado.

Em suma, o cenário de inflação persistentemente mais alta, que deve pressionar os BCs a reduzirem os estímulos monetários, e atividade mais baixa por efeitos diretos do setor de construção civil e agenda ESG da China e os efeitos indiretos nos países emergentes, coloca o mundo (e, principalmente, os países emergentes) em um cenário delicado do ponto de vista macro.

Cenário Doméstico

No Brasil, o cenário continua desafiador, com o país devendo sofrendo principalmente os impactos da piora do crescimento chinês e da pressão altista do preço das importações de bens e commodities, com um dólar mais forte no mundo, impactando significativamente o fiscal, apesar da balança comercial ainda estar bem positiva.

Além disso, a alta da inflação vem surpreendendo, puxada por: (i) problemas de oferta industrial; (ii) falta de chuvas, impactando diretamente o preço da energia elétrica e os preços de alimentos; (iii) a reabertura econômica e demandas reprimidas que afetam os preços de serviços; e (iv) alta dos preços do petróleo. O BC acabou ancorando a precificação do ritmo de elevação da Selic em 100bps (além de um risco de prêmio de risco em patamar moderado) para as duas próximas reuniões em 2021, encerrando o ciclo próximo de 10% a.a. em 2022, o que deve restringir ainda mais o crescimento em ano eleitoral, constituindo mais uma fonte de risco para ativos de risco domésticos.

No cenário político, os atos de 7 de Setembro elevaram a instabilidade institucional, a qual foi se dissipando ao longo do mês. Já indefinição quanto aos precatórios e a falta de avanço na reforma tributária do IR (essencial para a ampliação do Bolsa Família) exacerbaram o risco fiscal apesar da melhora dos indicadores no curto prazo. Nota-se que a pauta do governo atualmente está focada na inflação (diminuição do preço dos combustíveis) e na aprovação da reforma do IR (fonte de financiamento do Auxílio brasil) – de modo que o capital político restante deve ser gasto com esses assuntos.

Esperamos que o mês de outubro seja marcado pela discussão fiscal, uma vez que temos uma proposta de orçamento ainda não exequível e travado pelo gasto com precatórios. Não há uma solução fácil para o problema, mas a expectativa do mercado é que o tema saia de pauta nos próximos 2 meses.

Assim, acredita-se que matérias robustas essenciais ao crescimento não avancem até o final de 2021, negativamente impactando o crescimento no próximo ano. Os juros e inflação devem continuar inclinados para cima, assim como o câmbio, uma vez que o Real tende a se valorizar perante moedas pares de países emergentes, em função do ritmo de elevação nos juros locais e termos de troca. O BRL/USD, no entanto, não está com direção clara, já que a moeda americana também tende a se valorizar em função do processo redução de estímulos citado acima.

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