“Bancos olharam por muito tempo para produtos quando o mais importante é o cliente”, diz Paulo Weickert, da Apex Capital

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Não é novidade para ninguém que o setor bancário tradicional, principalmente no Brasil, passa por uma tendência gradual de perda de market share diante de uma forte competição de novos entrantes do mundo digital. Tal cenário leva diversos gestores a olharem para o segmento com mais cautela na hora de investir.

Fato é que, historicamente, os grandes bancos, antes considerados “queridinhos” dos investidores de Bolsa, sempre apresentaram altos retornos com crescimento de lucro e com uma perspectiva positiva para os anos seguintes. Somado a isso, as agências bancárias também representavam uma vantagem competitiva. Mas essa equação parece ter ficado no passado.

O que tem acontecido nos últimos anos, assim como em praticamente todos os setores, foi o advento da tecnologia. Um dos exemplos é que justamente as agências bancárias tornaram-se custosas demais quando comparadas com a facilidade do cliente de poder acessar todos seus dados e ter um relacionamento com uma instituição financeira por meio de um celular. Esse movimento, inclusive, foi acelerado na pandemia.

Segundo Paulo Weickert, sócio e gestor da Apex Capital, casa com R$ 10 bilhões sob gestão, os bancos tradicionais olharam por muito tempo para os produtos, quando, no mundo de hoje, o mais importante é dar atenção para o cliente, oferecendo uma experiência única para o usuário, estratégia que considera vencedora no longo prazo.

“Os bancos têm mudado de visão, mas como qualquer transatlântico, é muito difícil ter agilidade e promover essa mudança”, afirmou Weickert, em participação na live do BTG Pactual, acrescentando que vê essas empresas abrindo mão de tarifas, incrementando plataformas e oferecendo uma gama mais variada de produtos, inclusive de assets independentes, para se tornarem mais competitivas.

O gestor, inclusive, acredita que quanto mais rápido o retorno sobre patrimônio líquido se aproximar do custo de capital, melhor será para os bancos no longo prazo, porque significa que estão deixando receita na mesa hoje para não deixar o cliente ir embora futuramente.

Agenda do BC incentiva novos entrantes

Além disso, Roberto Reis, CIO da Meraki Capital, asset com R$ 1,3 bilhão sob gestão, aponta uma mudança de perfil do Banco Central, potencializada pelo atual mandato da instituição.

No passado, existia uma preocupação do BC de ter poucos bancos, mas sólidos, o que tornou o sistema bancário brasileiro muito concentrado. No entanto, a agenda atual incentiva mais a competição.

Reis  ainda diz que vê um “envelhecimento” do setor bancário tradicional e que a participação menor no mercado acionário é mais natural do que outrora. O gestor elenca que países desenvolvidos têm cerca de 10% de participação do segmento financeiro em seus principais índices, enquanto no Brasil o setor bancário correspondia há alguns anos a 30% do Ibovespa, considerado por ele  como uma “aberração”. “Imaginar que isso iria se perpetuar era muito difícil”, disse o CIO da Meraki Capital.

Valuation das empresas digitais

Uma das perguntas que os investidores se fazem diante de tantas mudanças é: como precificar esse novo mundo?

Em um cenário em que as novas empresas crescem a taxas altíssimas, adicionam milhões de clientes em tempo recorde, investem todo o caixa que geram e vêm a mercado para fazer cada vez mais aumentos de capital para continuar crescendo, a resposta passa longe de simplesmente olhar para o lucro ou para o valor contábil (book value).

Para Paulo Weickert, gestor da Apex Capital, a métrica para isso é precificar o quanto um cliente de um banco digital, na média, vai gerar de caixa no futuro.

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