“Sustentabilidade hoje vale dinheiro”, diz Fabio Alperowitch, gestor da Fama Investimentos

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Até o ano passado, ser sustentável não valia dinheiro, contudo hoje esse assunto traz sim retorno aos investidores. É assim que Fabio Alperowitch, gestor da Fama Investimentos, explica como o mercado financeiro e as empresas deixaram de ignorar temas relacionados a questões ambientais, sociais e de governança (ESG, na sigla em inglês) e passaram a adotá-los em quase todos os debates. 

Segundo ele, nos últimos 30 anos, o mercado financeiro afastou os temas ambientais e de direitos humanos, criando um vácuo muito grande na discussão dessas questões. Mas, de repente, o ESG chegou como se fosse um tsunami, fazendo com que diversos players se movimentassem para não ficar para trás.

Assim, surgiu no mercado uma necessidade quase imediata de falar sobre ESG, porém sem de fato terem um conhecimento profundo a respeito do tema. “Então acaba tendo um ESG muito reducionista”, afirma Alperowitch, em apresentação ao B.Side Insights, acrescentando que temas ambientais são super complexos, mas que no Brasil só se fala de carbono.

O gestor da Fama considera que não só o mercado financeiro, mas também as empresas passaram a dar uma atenção muito grande ao tema, já que uma companhia que não se mostra sustentável é cancelada de vários portfólios. “Sustentabilidade hoje vale dinheiro”, diz.

Alperowitch afirma que as empresas estão fazendo um esforço absurdo para mostrarem que seguem práticas sustentáveis. O problema é que nem todas de fato são. “Esse greenwashing está acontecendo muito forte. Há muitas coisas que são requisitos legais e as empresas vendem como uma conquista ambiental”, alerta.

Por esses motivos citados anteriormente, ele se diz preocupado a curto prazo, mas a médio e longo prazo está tranquilo, acreditando que o debate vai amadurecer e que hoje temos uma geração mais preocupada com o tema ESG.

Estatais e empresas de commodities na ‘black list’

Considerada uma das referências do mercado quando falamos sobre ESG (e muito antes do termo ganhar popularidade no Brasil), a Fama Investimentos tem como estratégia não investir em empresas gigantes, estatais ou relacionadas a commodities, fato que a ajuda a ter uma correlação menor com o Ibovespa.

Uma das companhias que a asset opta por não alocar seu capital é a Vale.

Mesmo que a mineradora esteja em suas máximas históricas, negociada acima de R$ 106, e com valorização superior a 20% em 2021, o gestor Fabio Alperowitch justifica que a empresa é extremamente dependente de duas variáveis: minério de ferro e dólar. “Ela é muito mais algo macro do que micro”, afirma.

Além disso, a questão ESG também pesa contra ao lembrar que a Vale passou recentemente por dois eventos sérios, com mortes de mais de 300 pessoas, desastres ambientais relevantes e compromissos frágeis mesmo após os desastres de Mariana e Brumadinho, ambos em Minas Gerais. O gestor da Fama também aponta para pontos negativos da companhia em assuntos referentes à governança e segurança do trabalho.

Sobre a Fama Investimentos

A Fama Investimentos é uma das gestoras independentes de maior tradição no Brasil. Fundada em 1993 pelos gestores Fabio Alperowitch e Mauricio Levi, a asset conta atualmente com cerca de R$ 2,6 bilhões sob gestão.

A gestora tem apenas um fundo de ações long only, disponível na plataforma do BTG Pactual digital, com uma carteira que gira entre 15 e 16 ativos, investindo em empresas brasileiras sólidas e bem geridas, por critérios puramente fundamentalistas. Vale ressaltar que a Fama não faz uso de derivativos, de alavancagem ou de market timing como estratégia de investimento. “O risco é o nosso research”, diz Alperowitch.

Desde o início até março de 2021, o fundo de ações da Fama entregou uma rentabilidade de 10.940% ante 2.616% do Ibovespa. Neste ano, o fundo cai 0,6%.

Atualmente, na carteira da asset estão empresas como Localiza, NotreDame Intermédica, MRV, Klabin, Iguatemi, Fleury, Duratex, Lojas Renner, M Dias Branco, SulAmérica, LOG, Arezzo e Raia Drogasil.

“Não nos incomodamos de ter os mesmos nomes de outros fundos, mas muitas vezes compramos empresas que ninguém tem e depois de um tempo todo mundo compra”, explica o gestor da Fama.

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