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“Estamos animados porque a Bolsa caiu, mas o fundamento das empresas continua sólido”, afirma gestor do Quasar Tropos

“Estamos animados porque a Bolsa caiu, mas o fundamento das empresas continua sólido”, afirma gestor do Quasar Tropos

Após um início de ano positivo, quando o Ibovespa superou a marca dos 121 mil pontos em abril, o humor dos investidores azedou diante de uma conjuntura global de inflação elevada e aumento de juros em praticamente todos os países, principalmente os mais desenvolvidos. Neste cenário, a Bolsa brasileira adotou uma trajetória de baixa desde então, chegando a perder a marca dos 100 mil pontos na última sexta-feira (17). 

Apesar da pressão vendedora nos últimos meses sobre o principal índice da B3, Gabriel Marzotto, gestor do fundo de ações Quasar Tropos, afirma que o grande segredo para ganhar dinheiro na Bolsa de Valores é olhar de forma contrária para os investimentos e, de alguma forma, aproveitar as grandes correções, já que “todo mundo quer comprar Bolsa quando está em 130 mil pontos, mas ninguém quer investir quando ela está em 65 mil pontos”, relembrando a época da pandemia de covid-19 em meados de 2020.

Ele, no entanto, ressalta que não necessariamente grandes correções trazem boas oportunidades, já que os fundamentos das empresas podem ter piorado. Contudo, em sua visão, não é o caso de agora.

“Estamos animados porque a Bolsa caiu, mas o fundamento (das companhias) continua muito sólido, com uma visibilidade cada vez mais construtiva em relação ao crescimento das empresas que investimos”, afirma Marzotto, em entrevista ao B.Side Insights. “O importante sempre é ver a relação de mudança de preço com melhora ou piora de fundamento.”

E aí, vem a pergunta: a Bolsa brasileira está barata?

Segundo o gestor da Quasar, quando olhamos alguns indicadores como o preço/lucro, o Ibovespa não está sendo negociado somente abaixo da média histórica, mas a dois desvios padrão da média histórica, ou seja, em um patamar ainda mais inferior. Para ele, quando analisamos os últimos 10 anos, só atingimos um ponto similar durante o governo Dilma Rousseff. Porém, ao contrário daquela época, hoje não temos uma inflação de dois dígitos nos últimos 12 meses, um PIB negativo e atualmente temos um prêmio de risco muito mais baixo comparado ao passado recente.

“Quando olhamos múltiplos da Bolsa como um todo, realmente temos um múltiplo muito descontado comparativamente aos padrões históricos”, diz Marzotto.

E, ao analisar o cenário macroeconômico, diante de um aperto monetário ao redor do mundo, o gestor considera que estamos em um nível de juros aqui no Brasil no qual “boa parte da lição de casa já foi feita”, diferente do que acontece em países como os Estados Unidos, que começaram a subir juros recentemente. “Hoje, o nível de alavancagem das empresas, sejam elas do Ibovespa ou até mesmo do índice de small caps, está próximo das mínimas recentes, demonstrando que, mesmo com aumento do custo de capital e de financiamento, tem impactos menores que tiveram no passado, só corroborando que o ponto atual que enxergamos de múltiplos depreciados em relação ao histórico é um excepcional ponto de entrada.”

Porém, apesar do ambiente de ações domésticas ser considerado positivo na visão de Marzotto, já que estamos no final do ciclo de ajustes monetários, o Brasil também deve ser impactado no curto prazo caso as bolsas americanas ainda sigam em trajetória de forte baixa. “Com fortes correções que estão acontecendo no S&P 500 e Nasdaq, dificilmente o Brasil vai conseguir ‘segurar’. Se o mundo colapsar como um todo, o Brasil tende a ficar mais resiliente, mas também sofrerá”. Ele ainda relembra que, ao longo dos últimos 20 anos, tivemos três grandes processos de ajustes de taxa de juros nos Estados Unidos e todos eles tiveram um ótimo desempenho do EWZ, principal ETF brasileiro negociado em Nova York, no período, justificado pelo fato de a Bolsa brasileira possuir características únicas, seja pelo fato de contar com muitas empresas do setor financeiro ou commodities e porque concentra as “melhores” empresas do Brasil. Assim, depois de um momento de crise, elas acabam se saindo mais fortes e ganhando espaço nos seus respectivos mercados.

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