Eneva, Hapvida e Quero-Quero: três dos principais investimentos do fundo de ação da Ori Capital

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Sem dar foco excessivo a cenários macroeconômicos, a Ori Capital, asset com mais de R$ 130 milhões sob gestão, segue focada em olhar para longe, tendo grande parte dos investimentos feitos há alguns anos. “Escutamos uma frase recentemente que traduz bem como pensamos. ‘Os temas vão e vem e, no final, fica a vida real’. E é a vida real, via aumento do lucro de uma empresa, que faz com que os retornos aconteçam”, afirma Carlos Alberto Trindade, sócio da Ori Capital, em entrevista ao B.Side Insights.

Fundada em setembro de 2014, a Ori é uma casa monoestratégia, dedicada exclusivamente à gestão de fundos de investimentos em ações. Desde seu início, a gestora, que tem uma equipe de 13 pessoas, sendo sete sócios e 10 na área de investimentos, tem como trunfo nunca ter entregado retornos anuais negativos, acumulando um desempenho de 154,21% no período até maio contra valorização de 109,34% do Ibovespa.

Para investir em uma companhia, a Ori procura por bons negócios, que sejam líderes nos setores em que atuam e em que o tamanho seja fonte de vantagem competitiva para que consigam crescer e ao mesmo tempo ganharem ainda mais espaço. Além disso, evitam investir em empresas muito expostas a variáveis exógenas, que dependem muito do ciclo econômico. Já o desinvestimento é feito quando há evidência que algum pilar da tese não está se concretizando, quando não há mais como extrair retorno da tese ou quando há um outro ativo no universo de cobertura mais interessante.

Apesar de não ser um fundo de small cap, a asset também se destaca por conseguir montar posições relevantes em empresas com menor valor de mercado, por conta de seu patrimônio sob gestão.

Confira abaixo três das principais teses de investimento da Ori Capital:

  1. Eneva (ENEV3)

Depois de passar por uma recuperação judicial em 2014, em um processo que terminou dois anos mais tarde, a Eneva, antiga MPX criada pelo empresário Eike Batista, passou por um verdadeiro turnaround (reestruturação do negócio).

Foi então que, em 2018, a Ori Capital se sentiu confortável para investir na companhia, carregando a posição até hoje, multiplicando seu valor por 6 vezes no período. Em 2019, a gestora chegou a ter 12% da carteira em Eneva, mas hoje esse número caiu um pouco, sendo atualmente a segunda maior posição do portfólio.

Para Carlos Alberto Trindade, a Eneva segue gerando valor e consegue juntar dois mundos que são complementares: da geração térmica, caracterizado pela estabilidade, e da exploração e produção de gás natural, considerado mais arriscado, mas com maior potencial de retorno.

“É possível tomar dívida lastreada na estabilidade do negócio (geração térmica) e ao mesmo tempo aplicar esses recursos na exploração e produção de gás natural com payoffs muito favoráveis, mas com maiores riscos”, afirma Trindade.

O gestor também destaca a alocação de capital da companhia desde 2017 que vem gerando bastante retorno, dando exemplos como a compra do campo de Azulão (AM), que pertencia à Petrobras, além de ter vencido em 2020 rodadas para adquirir sete blocos exploratórios nas bacias terrestres do Amazonas e do Paraná, e o campo de Juruá, na Bacia do Solimões (AM). Mais recentemente, em fevereiro de 2021, a Eneva ganhou uma disputa com a 3R Petroleum pelo Polo Urucu, também da Petrobras.

Segundo Trindade, a Eneva está muito bem posicionada no mercado de gás que está nascendo e tem tudo para desenvolver novos projetos que podem ser muito rentáveis, com capacidade de tomar dinheiro muito barato.  “A gente brinca que a Eneva parece uma espécie de Benjamin Button. Quanto mais velha ela fica, mais jovem parece estar do ponto de vista de oportunidade, até mais do que estava alguns anos atrás.”

  • Quero-Quero (LJQQ3)

A Lojas Quero-Quero, empresa varejista de material de construção fundada no Rio Grande do Sul em 1967, entrou no portfólio da Ori Capital poucas semanas depois de realizar seu IPO (abertura de capital) em agosto de 2020.

Atualmente com 395 lojas e com planos de expansão de atingir 840 lojas em 2025, o que faz da Quero-Quero ser tão especial na visão da asset?

A resposta está no modelo de negócio que atua apenas em cidades muito pequenas (40% das lojas estão presentes em municípios com menos de 25 mil habitantes), onde outras varejistas do mesmo setor não conseguem chegar.

Outro ponto de confiança está em quem toca o negócio, com destaque para o CEO, Peter Furukawa, 11 anos à frente da companhia, para o Diretor de Expansão, Daniel José Artus, há mais de 40 anos no negócio, e o COO, Mirson José Engelmann, há mais de 28 anos na Quero-Quero.

“A Quero-Quero tem um bom modelo de negócio, muito rentável, com espaço para crescimento significativo, com um ambiente competitivo favorável e executado por pessoas competentes e alinhadas”, justifica Carlos Alberto Trindade.

Mesmo dobrando praticamente de preço na Bolsa desde o IPO, a Ori ainda afirma que a ação da Quero-Quero está descontada por conta de sua capacidade de crescimento, já que o parque de lojas em maturação ainda é muito grande. “E quando a loja matura, é rentabilidade na veia”, explica.

  • Hapvida (HAPV3)

Recentemente, a Hapvida ganhou os holofotes do mercado depois que a companhia anunciou a fusão com a NotreDame Intermédica no primeiro trimestre de 2021.

Porém, o investimento feito pela Ori na Hapvida aconteceu bem antes, no IPO da operadora de planos de saúde em abril de 2018.

E, na visão da asset, a sinergia entre Hapvida e NotreDame resolveu um problema, já que as duas estavam começando a se encontrar e a disputar os mesmos ativos.

Com um negócio difícil de ser replicado, a companhia fica com um caminho ainda mais pavimentado para se consolidar como grande vencedor do setor.

“Com a fusão, não há outro player do tamanho e da escala das duas empresas conseguindo de fato atuar nesse setor”, afirma Trindade.

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