Fundamento do bitcoin não mudou mesmo com forte queda, afirma Hashdex

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Após atingir o topo histórico em abril, cotado acima dos US$ 63 mil, o bitcoin passou por um movimento de queda livre nos meses seguintes. Ainda nesta semana, a criptomoeda mais negociada do mundo operou abaixo dos US$ 30 mil, mas recuperou a marca logo em seguida.

Apesar da desvalorização recente, o fundamento do bitcoin não mudou absolutamente em nada, segundo a Hashdex, gestora especializada em criptoativos com mais de R$ 3,3 bilhões sob gestão.

“Eu não vejo motivo nenhum para quem entrou em US$ 60 mil vender, o foco deve ser o longo prazo”, diz Precyla Eller, Relação com Investidores da Hashdex, em entrevista ao B.Side Insights. “É até um momento de reavaliar a carteira. Se você se desesperou, provavelmente estava sobrealocado. A volatilidade é alta, então é normal ter essas correções depois de uma alta tão vertiginosa.”

Entre os motivos para a forte desvalorização recente estão uma sequência de tweets do bilionário Elon Musk, com mais de 58 milhões de seguidores no Twitter, com opiniões controversas a respeito do bitcoin e questões relacionadas à China, com uma crescente pressão sobre mineradores de criptoativos. Vale ressaltar que mais da metade de toda a mineração de bitcoin ocorre no país asiático.

“O Elon fez preço sim, muito mais pela influência dele do que suas preocupações em si que não eram novidades em relação ao consumo de energia. Já as questões da China e das fontes renováveis não mudaram os fundamentos em relação à tese do bitcoin. A China proibindo a mineração do bitcoin traz como consequência no curto prazo a redução do poder computacional na rede do bitcoin, mas que continua superior aos últimos anos. No médio e longo prazo, isso pode ser positivo para a descentralização da mineração e a redução do uso de carvão para minerar bitcoin na China”, opina Eller.

Segundo ela, a forte queda do bitcoin ainda tem uma questão adicional, já que algumas exchanges de criptos permitem alavancagem de 100 vezes para a pessoa física. Então, algumas vezes esses movimentos de queda acabam sendo exacerbados por conta do stop automático que esse tipo de investidor sofre.

De acordo com a Hashdex, um indicador mostrou que boa parte das carteiras que venderam bitcoin no período de baixa era de quem entrou há menos de 6 meses e se desesperou com a queda, enquanto quem estava há mais tempo investindo na moeda digital de maneira geral manteve a posição.

“Se você pegar prazos mais longos, como três anos e meio, todo mundo está ganhando dinheiro com bitcoin. Isso fortalece a visão de que o investimento nessa classe de ativos tem que ser focado no longo prazo”, afirma Precyla Eller.

Hashdex lança novo ETF

Após o sucesso do HASH11, ETF que captou R$ 615 milhões e que replica o Nasdaq Crypto Index (NCI), índice que busca refletir globalmente o movimento do mercado de criptoativos, a Hashdex está prestes a lançar o BITH11, o ETF 100% de bitcoin, disponível para subscrição até 30 de julho na plataforma do BTG Pactual digital.

“O BITH11 é uma excelente opção para quem quer se expor apenas ao bitcoin. Ele é um ativo escasso com grande potencial para ser uma reserva de valor emergente. A preocupação com a inflação nos Estados Unidos tem favorecido essa tese, sendo corroborada por investidores de peso no mercado, como Ray Dalio e Paul Tudor Jones. Quem comprava o ativo diretamente em exchange tem a oportunidade de ter na Bolsa um produto regulado, sem o risco de custódia e gerenciado por uma empresa com track record do HASH11, que hoje tem uma liquidez de mais de R$ 100 milhões por dia”, diz a RI da Hashdex.

Além do fato do BITH11 replicar o movimento do bitcoin, o produto também tem uma preocupação com a sustentabilidade, neutralizando as emissões de carbono decorrentes do investimento no ativo.

“Entendemos que o bitcoin no futuro pode, inclusive, até beneficiar o uso de fontes renováveis, fazendo a utilização de excedente de energia que seria desperdiçada”, projeta Eller. “Estamos investindo para o futuro, pensando tanto na ótica do investimento quanto na ótica sustentável.”

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